Bolsonaro entrega reforma pessoalmente ao Congresso

Acompanhado de ministros, Bolsonaro se reuniu com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre e saiu do Congresso sem dar entrevista

Um dia depois de contabilizar sua primeira derrota no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) esteve no Congresso Nacional para apresentar o texto da reforma da Previdência na quarta-feira, 20. Ele chegou por volta de 9h30, acompanhado do ministro da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM/AP).

Na reunião, entregou o documento a Maia, já que a primeira tramitação ocorre na Câmara dos Deputados, para depois seguir para o Senado. Depois de ficar cerca de 20 minutos com os presidentes da Câmara e Senado, Bolsonaro deixou o Congresso sem falar com a Imprensa.

Com o movimento, o presidente assume pessoalmente a responsabilidade por articular sua base política, tenta dissipar dúvidas do mercado sobre sua convicção a respeito da necessidade da proposta e, por fim, virar a página da crise que culminou com a queda do ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno.

O texto chega ao Congresso no momento em que a base de apoio de Bolsonaro é incerta. Na terça-feira, dia 19, o governo não conseguiu nem mesmo maioria simples (os votos de metade mais um dos presentes) para derrubar projeto que suspende o decreto que amplia para funcionários comissionados e de segundo escalão o poder para que seja imposto sigilo de documentos públicos.

Foi uma derrota por 367 votos a favor, 57 contrários e três abstenções, o projeto foi incluído na pauta do plenário como urgente. O PSL ficou praticamente isolado na defesa do Planalto. Contou apenas com três votos do MDB, um do Solidariedade, um do PP, um do PSD e um do Avante. O DEM, que tem três ministérios, incluindo a Casa Civil, comandada por Lorenzoni, ajudou a impor a derrota ao governo. O texto seguirá agora ao Senado.

O revés sofrido pelo Planalto pode ter sido um recado para Bolsonaro de que o Legislativo está insatisfeito com a falta de interlocução. Um foco de descontentamento é o fim da política de toma lá, dá cá imposto por Bolsonaro.

Não foi a única derrota do dia para o Executivo. Os esforços do líder do governo para evitar incluir na pauta a proposta de convocação do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também foram inúteis. Os líderes querem explicações sobre por que um general brasileiro foi nomeado para coordenar o Comando Militar Sul nos Estados Unidos.

Para evitar mais prejuízos ao Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recuou da decisão de colocar em votação no plenário o projeto que permite a Estados antecipar receitas ao “vender” dívidas que têm a receber. A votação da chamada securitização serviria como termômetro para Maia medir o tamanho da base.

No Senado, outra derrota. A Comissão de Transparência da Casa aprovou convite para o ex-ministro Bebianno falar sobre sua ruidosa saída do governo, ignorando tentativa de senadores do PSL de evitar a votação. Após o episódio, Fernando Bezerra (MDB/PE) foi nomeado líder do governo no Senado.

O vice-presidente Hamilton Mourão procurou amenizar a derrota e disse que o governo tem, hoje, uma base de 250 deputados favoráveis à reforma da Previdência. “A gente sabe que a oposição tem em torno de 150 votos. Então, sobram 363 para serem garimpados. Acredito que temos 250. Então, entre 60, 70 votos terão que ser buscados”, avaliou o vice.

Já Maia negou que tenha sido um recado a Bolsonaro. “Início de governo acontece isso mesmo”, disse. Em seguida, citou outras votações em que o Planalto saiu vitorioso.

21/02/2019

Foto: Divulgação

 

 

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