Perícia detecta pólvora na mão de menor morto pela polícia em SP

O resultado era aguardado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM para saber se a criança realmente teve ao menos contato com um revólver calibre 38 apresentado pelos policiais como sendo portado por Italo. Exame, no entanto, é inconclusivo para o casoMANCHETE perícia detecta

O exame residuográfico feito pela perícia detectou rastros de pólvora e chumbo nas mãos de Italo, 10, morto durante perseguição policial após furtar um carro na quinta, dia 2, na região do Morumbi. As informações são do jornal Folhe de SP, desta quinta-feira, dia 9.

O resultado era aguardado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM para saber se a criança realmente teve ao menos contato com um revólver calibre 38 apresentado pelos policiais como sendo portado por Italo.

No entanto, delegados do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, responsável pela investigação, avaliam que esse exame não é conclusivo para confirmar se ele atirou durante a perseguição, como dizem os PMs. Isso porque bastaria encostar a arma recém-utilizada nas mãos da criança para influenciar os resultados.

O colega de 11 anos que estava com Italo deu três versões diferentes da ocorrência. Primeiro, disse que Italo estava armado e que atirou contra os PMs durante a perseguição e após a batida do carro. Mais tarde, disse que ele só atirou no trajeto enquanto era perseguido.

Depois, negou troca de tiros, disse que a dupla não tinha revólver e que a arma foi "plantada" por policiais –que pressionaram para ele dar a versão inicial. O garoto deve ser ouvido novamente.

Uma equipe policial investiga a trajetória do revólver que foi apreendido para tentar encontrar evidências. A arma foi roubada de um segurança que fazia a escolta de uma carga de cigarros alvo de uma quadrilha em maio do ano passado, em Jundiaí, no interior de São Paulo.

Uma testemunha –um advogado de 45 anos– localizada pela Folha disse ter escutado um tiro disparado do carro onde estavam os garotos durante a perseguição. Ele prestou depoimento nesta quarta, dia 8, reforçando esse relato, que pode ser favorável aos policiais.

A polícia aguarda outros laudos para marcar a realização da reconstituição do crime, onde será avaliado se Italo tinha condições de dirigir, abrir e fechar as janelas e ainda atirar com a mão esquerda, mesmo sendo destro.

Praia Grande, 9 de junho de 2016
Fonte: Folha de SP
Foto: Divulgação/Folha de SP

 

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