Pesquisa revela: um em cada três brasileiros perdeu amigos ou parentes assassinados

Foram ouvidas 2065 pessoas em 150 municípios em todo o Brasil

Um em cada três brasileiros, ou seja, cerca de 50 milhões de pessoas maiores de 16 anos perderam amigos ou parentes assassinados de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira, dia 8, realizada no Instituto Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Um dos que se encaixam nessa estatística é o jornalista Fábio Lázaro de Oliveira, cujo amigo foi morto em abril a facadas ao sair da casa da namorada, com o corpo encontrado em um terreno baldio, no bairro Catiapoã, em São Vicente. Para ele, a morte do estudante Gabriel Aquino Muniz de Souza, de 19 anos, é marcante, principalmente pela forma que ocorreu “É um filme que sempre vai passar na minha mente sobre o falecimento do Gabriel. Acredito que não me afete psicologicamente a questão do trauma vivido porque eu tenho a minha maneira de lidar com a saudade e lembrar o tempo que passamos juntos”, disse.

O levantamento revela que as vítimas de facas e outras armas brancas somam 8%, o que representa 10 milhões de pessoas e 4% de ferimentos com armas de fogo, o que equivale na projeção populacional, 5 milhões de indivíduos. Além disso, 12% dos entrevistados pelo DataFolha disseram ter sofrido ameaças de morte.

Segundo Oliveira, por ser um amigo próximo, deu suporte à família desde o início. “Eu estava sofrendo sim, mas tive que me segurar. Me coloquei numa função de racionalidade e ainda vou à casa dos pais prestar todo o tipo de ajuda”, comentou.

Para a psicóloga, Oleni de Oliveira Lobo, o número de assassinatos se deve a falta de consequência legal. “Os bandidos se sentem ‘donos do mundo’. Muitas famílias são afetadas psicologicamente, não só pela perda, como também por não saberem lidar com o ato de justiça. É importante o desapego e libertação emocional que liga os parentes da vítima com o criminoso”, afirmou.

Ao todo, 94% dos que responderam a pesquisa acreditam que o índice de homicídios no Brasil é muito alto. Oleni ressalta sobre a sensação impotência de parentes e amigos e a impunidade de muitos casos que se encerram sem um verdadeiro culpado. “A culpa vira constantemente protagonista forte na vida de cada um, deixando sempre a pergunta ‘e se?’. Para isto existe o tempo que ajuda a aceitar os desafios, sofrimentos e jeito de abrir a novas experiências”, concluiu.  

Larissa França

 

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