Caminhada reforça a legitimidade do filho adotivo

Evento acontece no próximo dia 26, em alusão aos Dias Nacional e Municipal da Adoção

Espalhar alegria, informação e mostrar que o amor de uma família não é baseado no tipo sanguíneo, mas pelo carinho, afeto e respeito. Essas são as principais características da sétima edição da Caminhada da Adoção, que acontece no próximo dia 26, em Praia Grande.

O evento é alusivo aos Dias Nacional e Municipal da Adoção, celebrado em 25 deste mês. A atividade é gratuita e não é preciso inscrição prévia. Os interessados em adquirir a camiseta do evento poderão trocá-la por duas latas de leite em pó de 400g, que serão doadas a entidades da região, como o Fundo Social de Solidariedade de Praia Grande, Casa Crescer e Brilhar e Lar Assistência ao Menor (LAM), de São Vicente; e Casa da Vovó Benedita, de Santos.

A concentração acontece na praça Duque de Caxias, no bairro Canto do Forte às 9h, com largada às 10h30, tendo como trajeto a avenida Presidente Castelo Branco, até a unidade do Conviver no bairro Boqueirão. Durante o percurso serão distribuídos folhetos informativos e terá música para animar os participantes.

Segundo a presidente do Grupo de Apoio à Adoção Laços de Amor (Gaala), Júlia Leal, o evento tomou uma proporção positiva, e assim como no ano passado, espera reunir 700 pessoas. “Virou algo marcante. Nosso trabalho é tão natural, com pessoas que ajudam com seriedade, respeito e apoio ao grupo, que não imaginávamos que o tempo passaria. Além de sete anos de Caminhada, temos há nove o grupo e continuaremos com o trabalho de formiguinha, plantando uma semente todos os dias”, declara.

Com o tema Adoção: filiação legítima, afetiva e por toda a vida, a ação serve para conscientizar a sociedade sobre o assunto, mostrando que a criança faz parte da família e tem direitos como qualquer outro filho.

No ano passado a tema foi Nome e filiação afetiva, uma escolha que deve ser respeitada, e resultou em ações que ajudam a melhorar o processo de adoção no Estado. “Um pouco depois da caminhada o nome afetivo virou lei estadual (Lei nº 16.785/18). Na época havia outros lugares que apoiavam o movimento, mas o nosso contribuiu para isso e estivemos presente no dia da assinatura. Foi uma conquista muito grande!”

O nome afetivo é o escolhido pelos pretendes à adoção e a lei garantiu que fosse usado pela criança ou adolescnete antes do fim do processo legal.

O evento é realizado por meio de uma parceria entre o Gaala e a Secretaria de Assistência Social (Seas). Mais informações podem ser obtidas pelo site www.gaala.org ou ligar para 3016-6152.

DADOS – Para a presidente do Gaala as pessoas estão esclarecendo mais as dúvidas. “Se fala muito na fila de espera, mas é preciso entender que a adoção não é uma fábrica, que essas crianças sofrem muito mais que uma fila. Se estão lá é porque passaram por problemas familiares que envolvem desemprego, álcool, drogas, entre outros e só existe fila pelas escolhas que os pretendentes fazem, pois muitos preferem os bebês e muitas crianças já são grandes. Hoje as pessoas têm mais informações, mas algumas ainda são distorcidas e infelizmente a TV ainda aborda de forma inadequada”, finaliza.

Segundo o Setor Técnico de Serviço Social e Psicologia do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em Praia Grande o número de pretendentes passou de 28 pessoas em outubro de 2010, para 55, em maio. O número de crianças também cresceu: eram oito disponíveis para adoção em 2010 e hoje são dez, sendo oito entre 3 e 10 anos; e dois adolescentes, 16 e 17 anos. As crianças pequenas fazem parte de grupos de irmãos e precisam ser colocadas juntas na mesma família.

O interesse pelos mais velhos também cresceu. Em 2010 os pretendentes queriam somente com até 3 anos e hoje a maioria aceita crianças de até 6 anos, sendo que três aceitam até 8 anos.

Pelo País, o Sistema Integrado do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), criado para reunir dados de todas as comarcas do Brasil tem atualmente 45.923 pretendentes cadastrados e 9.566 crianças e adolescentes para adoção.

Desde o início das operações, há 11 anos, houve mais de 12 mil adoções. Só no ano passado foram efetivadas mais de 2 mil.

20/05/2019
Texto: Larissa França

Foto: Divulgação/PMPG

 

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