MEC discuti se o livro Caçadas de Pedrinho continua no Programa Nacional Biblioteca na Escola

O Pai do Sítio do Picapau Amarelo, Monteiro Lobato, é tema de polêmica: uma de suas obras renomadas, o livro Caçadas de Pedrinho (escrito em 1933), traria conteúdo de preconceito racial, aponta alguns representantes da luta contra racismo. O governo não concorda totalmente, e acredita apenas que “algumas passagens devem ser contextualizadas”.

O Ministério de Educação (MEC) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) participam nesta terça-feira, dia 11, da audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, para discutir o mandado de segurança de autoria do Instituto de Advocacia Racial (Iara) e do pesquisador de gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto contra o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que liberou a adoção do livro no Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE).

A posição do governo é contrária à censura ou suspensão do livro. “Não se trata de vetar, mas indicar que precisa ser lido a partir da crítica”, salienta a coordenadora-geral para Educação de Relações Étnica-Raciais do MEC, Ilma Fátima de Jesus. Segundo ela, o PNBE não deve adotar nenhuma obra que coloque “a pessoa em situação vexatória”.

“É importante que essas obras sejam veiculadas porque fazem parte da história e Monteiro Lobato é uma figura importante. Vejo que têm que ser discutidas criticamente. Algumas passagens que hoje em dia ferem muito mais os ouvidos da sociedade brasileira do que feriam alguns anos atrás. Isso tem que ser contextualizado”, concordou Theodoro.

O advogado do Iara, Humberto Adami, também defende a contextualização e alerta para riscos de preconceitos. “Não se pode permitir que essas expressões racistas de outro momento entrem impunemente e reproduzam ou reinventem o racismo em sala de aula. Depois não adianta fazer campanha contra bullying na escola.”

 

 

 

Fonte: ABr
16:13  Terça-feira
Praia Grande, dia 11 de setembro de 2012 

 

 

 

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