Mortalidade por acidentes de transportes é a menor já registrada

Em 2015, mortalidade masculina foi cinco vezes maior do que a feminina; maioria das vítimas tem entre 20 e 24 anos ou são idosos; diminuem as mortes por acidentes de motos e bicicletas.

Estudo da Fundação Seade aborda a evolução da mortalidade por acidentes de transportes a partir das informações recebidas dos Cartórios de Registro Civil de todos os municípios paulistas.

De acordo com o estudo, as taxas de mortalidade por acidentes de transportes, para o Estado de São Paulo e o Brasil, durante o período entre 1980 e 2014, estiveram acima de 15 óbitos por 100 mil habitantes, com as taxas paulistas superando as do Brasil até 2000. A partir desse ano, as taxas de mortalidade no Estado passaram a ser inferiores às do país, apesar de ambas terem se mantido elevadas, muitas vezes ultrapassando a marca de 20 óbitos por 100 mil habitantes. Recentemente as reduções tornaram-se mais expressivas no Estado e, em 2015, a taxa atingiu 13,6 óbitos por 100 mil.

No Estado de São Paulo, em 1980, a população masculina concentrava 77% do total desses óbitos, ultrapassando a marca de 80% a partir de 1996 e chegando a 82,6%, em 2015. As taxas de mortalidade por acidentes de transportes diminuíram de forma mais acentuada entre as mulheres. Assim, em 2015, quando atingem os menores valores, a taxa de mortalidade masculina foi cinco vezes maior do que a feminina: 23,0 e 4,6 óbitos por 100 mil habitantes, respectivamente.

Esse padrão de maior mortalidade masculina é semelhante no mundo, com 73% das mortes por acidentes de transportes correspondendo a homens jovens. No Reino Unido, as mortes masculinas eram três vezes maiores do que as femininas e, no Canadá, superavam pouco mais de duas vezes as das mulheres.

Tanto para os homens como mulheres, a taxa de mortalidade por acidentes de transportes por idade, atinge os maiores valores entre 20 e 24 anos, mantendo-se nos grupos seguintes em patamar mais baixo. No entanto, a partir dos 60 anos para mulheres e 75 para os homens, as taxas se elevam consideravelmente, tendo em vista que os idosos estão mais sujeitos aos atropelamentos.

Os atropelamentos, por um lado, apresentam as maiores taxas de mortalidade, por outro, correspondem ao tipo de acidente que vem registrando as quedas mais expressivas desde 2005, acentuando-se em 2015 com redução de 23% em relação ao ano anterior. Entre as vítimas de motocicleta e automóvel, verificam-se aumentos em quase todo o período, apresentando decréscimo mais considerável em 2015: 50% e 23%, respectivamente, em comparação a 2014. Já em relação aos ciclistas, as taxas foram muito pequenas e inferiores a um óbito por 100 mil habitantes em todo o período analisado, com queda de 34% entre 2014 e 2015.

Os acidentes de motocicleta, embora também predominem as vítimas do sexo masculino, ocorrem majoritariamente entre os jovens, com 63% das vítimas fatais dessas ocorrências atingindo homens de 18 a 34 anos de idade. A taxa de mortalidade é mais elevada no grupo de 18 a 19 anos e passa a diminuir nas faixas etárias seguintes. Entre as mulheres, apesar de as taxas serem bem inferiores, verifica-se aumento importante de sua incidência já no grupo de 15 a 17 anos, alcançando o nível mais elevado na faixa de 18 a 19 anos.

Em 2015, as maiores taxas de mortalidade no Estado de São Paulo corresponderam às regiões de Registro, com 27,7 óbitos por 100 mil habitantes, seguida por São José do Rio Preto (23,3) e Itapeva (22,8). As menores, além da Região Metropolitana de São Paulo, com 9,2 por 100 mil, ocorreram nas RAs de Santos, Franca e Bauru, com taxas entre 13,62 e 14,0 por 100 mil.

Nos municípios, as diferenças são ainda mais expressivas. Entre aqueles que contavam com pelo menos 20 mil habitantes, Taquarituba, Miracatu, José Bonifácio e Bastos apresentaram taxas de mortalidade por acidentes de transportes superiores a 40 óbitos por 100 mil habitantes, no período 2014-2015. Por outro lado, São Paulo, Jandira, Santa Rosa de Viterbo, Ferraz de Vasconcelos, São Caetano do Sul, Teodoro Sampaio e Orlândia estiveram entre os de menores taxas, situando-se entre 6 e 8,5 por 100 mil.

 

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