Justiça condena ex-prefeito por compra de votos em 2008

Prefeito de Praia Grande de 2009 a 2012, Roberto Francisco dos Santos foi condenado pela Justiça do Município por compra de votos na eleição de 2008. Além do político, o empresário Édis César Vedovatti, que teria sido responsável por patrocinar a campanha na época, também foi declarado culpado na ação. O ex-prefeito foi condenado a 2 anos e 15 dias de reclusão, enquanto o empresário teve pena de 2 anos, 9 meses e 15 dias. Ambos alegaram, nas defesas, insuficiência e deficiência nas provas apresentadas. Ele podem recorrer da decisão em liberdade.

O mandato de Roberto Franciso não foi fácil. Eleito em um pleito polêmico — com pouco mais de 3 mil votos a mais do que segundo colocado, Alexandre Cunha — o ex-prefeito quase foi impedido de terminar seu governo, justamente pela mesma ação em que foi condenado. A denúncia, feita pelo Ministério Público Estadual (MPE), dá conta da compra de votos, no valor de R$ 50,00 por eleitor.

Os indícios foram confirmados em delação premiada, benefício previsto na Lei 9.807/99 e do qual se usufruíram os demais réus: André Yamauti — então candidato a vereador —, José Ronaldo Alves de Sales, o Ronaldo da Marazul — coordenador da campanha — bem como  Camila Branca Pereira e Michele Menezes da Costa, que trabalharam na campanha, atuando diretamente na compra dos votos. Todos eles confessaram os crimes.

Yamauti foi condenado a seis meses de prisão, Ronaldo da Marazul, sete meses, Camila, seis meses, e Michele Menezes da Costa irá cumprir pena de um ano e dois meses. Todos, porém, tiveram as penas extintas porque os crimes prescreveram, já que o recebimento da denúncia contra eles ocorreu em 2013.

Para o juiz Antonio Carlos Costa Pessoa Martins, além da denúncia feita pelo MPE, o conjunto de provas colhidas pela Polícia Federal, não deixam dúvidas quanto a ação criminosa praticada. “Além da prova documental bem produzida por uma cuidadosa investigação empreendida pela Polícia Federal, a qual por certo contribuiu para o convencimento dos réus a valerem-se dos benefícios da delação premiada, deixaram clara a atuação de um grupo formado por políticos, empresário e pessoas mais simples cooptadas a dinheiro para comprar votos nas eleições de 2008 em prol do delator André Yamauti e do corréu Roberto Francisco dos Santos”, escreve o juiz.

Ronaldo da Marazul disse que recebeu do empresário Édis Vedovatti a quantia de R$ 80 mil para comprar votos em prol de Yamauti e Roberto Francisco. Outros R$ 50 mil seriam disponibilizados apenas para eleição do prefeito. Ainda segundo ele, o esquema começou aproximadamente a 15 dias das eleições, e consistia na contratação de “coordenadores” que deveriam comprar votos pelo valor de R$ 50,00 cada. Vedovatti, em seu depoimento, negou ter dado dinheiro para campanhas. Roberto Francisco negou envolvimento com os fatos.

Christiane Disconsi

 

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