Tema da redação divide opiniões de especialistas

Pela primeira vez sendo realizado em dois domingos diferentes, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) gerou polêmica com relação ao tema da redação:

 Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Enquanto uma grande parcela acredita que o tema não foi adequado para a faixa etária dos candidatos, especialistas e grupos ligados a surdos viram com bons olhos o destaque para esse tema, acreditando que esse é um começo para a sociedade se adequar as necessidades deste público.

A prova teve quatro textos motivadores diferentes. Um deles incluiu dados sobre o número de alunos surdos na educação básica entre 2010 e 2016. Outro apresentou um trecho da Constituição Federal afirmando que todos têm direito à educação. Um terceiro mostrou aos candidatos uma lei de 2002, que determinou que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) se tornasse a segunda língua oficial do Brasil.

Além disso, um anúncio do Ministério Público do Trabalho que, segundo o site do MPT, foi publicado em 2010, abordou um quarto aspecto da questão: o fato de surdos seguirem excluídos por causa do preconceito, mesmo que tenham a formação educacional necessária para entrar no mercado.

A pedagoga que atua na área de educação especial para deficiência auditiva, Isabella Vivi Romeiro, compartilhou um texto em sua rede social, em que aponta a complexidade do tema para jovens do ensino médio. “Os alunos se prepararam para temas de atualidade e acabou caindo um tema cheio de nuances, que pode ter exposto candidatos a riscos de cometerem uma série de impropriedades, como a de achar que todo surdo precisa aprender libras, que escolas ‘só para eles’ seriam solução, que a língua de sinais é uma reles transformação da língua portuguesa em sinais, entre outros”.

Por outro lado, a coordenadora pedagógica da Congregação Santista de Surdos, Rosemary Ribeiro, acredita que esse tema fez com que toda a sociedade comece a enxergar as dificuldades dos deficientes auditivos. “Existem várias identidades surdas que vão desde aquele que entende libras e consegue se comunicar, até aquele que não consegue. Apesar de caminharmos em passos de formiga, o tema dessa redação vai começar a ampliar os olhos das pessoas para este público. Acredito que foi um tema bom para os jovens, pois por conta da inclusão a maioria deve ter convivido em sala de aula com algum deficiente auditivo”.

Ainda sobre o tema, o ministro da Educação, José Mendonça Filho, disse que o Ministério da Educação (MEC) busca a ampliar acessibilidade e políticas de afirmação de surdos. Segundo ele, está incluído na proposta da Base Nacional Comum Curricular, a formação adequada de professores que possam atender também a esse público.

 

Carolina Huerte

2017-11-09 09:15:24

 

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