Inflação fecha o ano em 2,95%, abaixo da meta

A supersafra de alimentos foi que ajudou para que a inflação ficasse abaixo da previsão, segundo IBGE

A inflação oficial do Brasil fechou 2017 em 2,95%, abaixo do piso da meta fixada pelo governo federal - de 3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, dia 10. É a primeira vez que o índice fecha abaixo da estimativa desde que o regime de metas foi implantado no País, em 1999. Conforme o Instituto, esse índice é o menor desde 1998, quando chegou a 1,65%. Em 2016, o IPCA havia ficado em 6,29%.

A forte desaceleração do IPCA em 2017 é explicada pelo comportamento dos preços de alimentação e bebidas, que têm o maior peso no cálculo do índice. Com o aumento de 30% da safra, os alimentos ficaram 1,87% mais baratos e impediram que a inflação avançasse ainda mais. Com isso, os preços dos alimentos consumidos em casa fecharam o ano em baixa de 4,85%, sob forte influência das frutas, cujos valores caíram 16,52%.

Segundo o analista da Coordenação de Índices de Preços ao Consumidor (IPCA), Fernando Gonçalves, a partir de agora deverá ocorrer um “realinhamento” dos preços dos alimentos. “Eles tiveram muitas quedas por conta da supersafra do ano passado. Não podemos dizer que a partir de agora há uma tendência de alta crescente, mas deve ocorrer um realinhamento desses preços”, explicou.

Ao longo de 2018, a inflação deve “voltar à normalidade”, de acordo com Gonçalves. Questionado sobre qual seria esta medida de normalidade, o analista explicou que não devem ocorrer fenômenos atípicos que deixem o índice muito elevado ou muito baixo.

O resultado de 2017 ficou próximo à previsão do Banco Central. Em dezembro, um relatório da instituição estimou que a inflação de 2017 seria de 2,8%. Na última pesquisa que mostrava as previsões para 2017, a inflação estava em 2,79%.

DEZEMBRO - O IPCA registrou a maior taxa mensal do ano inteiro no último mês: 0,44%. Em novembro, o índice chegou a 0,28%. O resultado foi puxado pelo preço dos alimentos, que voltaram a subir (0,54%), depois de sete meses consecutivos de queda. A alimentação consumida em casa passou de -0,72% para 0,42%.

Os principais impactos individuais no índice do mês partiram das passagens aéreas (22,28%) e da gasolina (2,26%). Juntos, os dois itens representaram 41% do IPCA de dezembro.

INPC - O IBGE também apresentou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechado de 2017, que chegou a 2,07%, a menor variação desde a implantação do Plano Real. Em dezembro, a taxa foi de 0,26%, acima da taxa de novembro, de 0,18%. Esse índice é usado como referência para o reajuste dos benefícios previdenciários.

Com isso, pelo segundo ano consecutivo, o reajuste das aposentadorias e benefícios do INSS de quem ganha acima de 1 salário mínimo deverá ser superior ao aumento do salário mínimo, que teve reajuste de 1,81% e passou de R$ 937 para R$ 954 no dia 1º de janeiro – o menor aumento em 24 anos.

Em 2017, o reajuste para aposentados e pensionistas do INSS que recebem benefícios com valor acima de um salário mínimo foi de 6,58%, referente à variação do INPC de 2016

 

 

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