Seis em cada dez famílias brasileiras estão endividadas

Principal dica do Procon-SP para minimizar dívidas e não abusar do cartão de crédito, já que os juros por atraso são os mais altos

As festas de final de ano acabaram, 2018 chegou, e com ele vieram também as inevitáveis e costumeiras contas de janeiro, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), material escolar, faturas do cartão de crédito, entre outras dívidas.

Com isso muitas pessoas ainda não sabem como pagar estas contas devido às dívidas que já acumuladas. Isso porque o número de famílias brasileiras endividadas passou de 59% em 2016 para 62,2% no ano passado, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado no dia 5.

Este número mostra que seis em cada dez famílias do País estão endividadas. De acordo com a supervisora de Estudos e Pesquisas da Fundação Procon-SP, Rosana Piccoli, para tentar começar o ano endireitando a vida financeira, é necessário planejamento. “Com a falta de organização o problema pode se agravar, porque a pessoa se esquece que vai ter de pagar as compras de Natal, geralmente feitas com o cartão de crédito e que elas cairão na maioria das vezes em janeiro, o que torna complicado enfrentar o pagamento das contas do início do ano e ao mesmo tempo não ficar pendurado no cartão”, disse.

A profissional explicou algumas formas para minimizar o impacto desses compromissos. “No caso do IPVA e IPTU, o consumidor que não tiver o dinheiro suficiente para aproveitar o desconto à vista, pode usar a opção parcelada e é possível usar os créditos da Nota Fiscal Paulista, nos prazos adequados para o pagamento do IPVA”, comentou. “Aos pais que vão comprar material escolar, é possível apelar para as compras em conjunto. Aí vale combinar com os vizinhos, com os parentes e com os outros pais que também têm filhos na mesma escola. Dividindo as despesas dos objetos obrigatórios dá para negociar descontos nos preços ou comprar em atacados”.

Rosana acredita que o melhor caminho a seguir, mesmo com algumas dívidas, é fazer o planejamento daqui para frente. “O sufoco em 2018 pode significar a oportunidade de se preparar melhor para enfrentar as despesas do próximo ano”.

A especialista recomendou também evitar dívidas com o cartão de crédito e o pagamento dos juros. É mais conveniente apelar para juros do crédito pessoal que são muito menores do que os dos juros cobrados pelo cartão de crédito.

O morador de Praia Grande, José Eduardo Pereira Alves, por enquanto paga as dívidas essenciais. “Não preciso pagar material escolar porque meus filhos já estão grandes, nem IPVA, pois o carro já é antigo e nem IPTU porque sou zelador do meu prédio e sou isento, mas o resto das contas eu pago um mês sim e outro não. A gente fica jogando pra frente e vê no que dá. Eu e minha esposa damos prioridade para o cartão de crédito, plano de saúde e conta de telefone, já que essas coisas que não tem jeito de adiar muito.”

Larissa França

 

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