Casal de PG se destaca durante Brasileiro de Rolimã

Alexandre Queiroz e Regina Browczuk já praticam a modalidade há dez anos

Já foi o tempo em que descer ladeiras com o carrinho de rolimã era coisa de criança. A nostálgica brincadeira evoluiu para competições e quem representa a Baixada Santista é Alexandre Queiroz Lugó Neto, de 58 anos e Regina Browczuk Francisco, de 41.

O casal, que mora no Canto do Forte, em Praia Grande, conquistou o quarto e quinto lugar em um GP em Ponta Grossa, no Paraná, no dia 1º de maio. A corrida faz parte do calendário do Campeonato Nacional Rolimã Brasil (CNRB).

Queiroz competiu pela categoria estilo livre e pela grid/speed. Já Regina disputou pela feminina, grid/speed e força livre. Atualmente as dispustas são divididas em Rolimã Tradicional (RT), grid ou speed (depende do local), força livre e feminina. O que muda entre elas é o peso do carro, rolamento e tamanho, o que interfere consequentemente na velocidade e na força.  

Casados há 18 anos e participando da modalidade há dez, Queiroz conta que tudo começou pela saudade de relembrar a infância. “Andava muito quando jovem. Guardei o meu carrinho e sempre ficou lá em casa porque tinha dó de jogar fora. Um dia pensamos em voltar a andar, e ainda na época do Orkut (rede social do começo dos anos 2000) vimos uma comunidade chamada Eu andei de carrinho de rolimã. Em um dos fóruns havia o anúncio de uma competição no pólo da USP. Foi ali que achamos uma oportunidade. Depois que começamos não paramos mais”, relembra.

Regina acredita que a modalidade evoluiu bastante. “Muitas pessoas tem a lembrança de quando pequenos, com os carrinhos de madeira, onde se machucavam e não é mais assim. Andamos com equipamentos de segurança, já que a velocidade aumentou muito. Chegamos a pegar de 70 a 80 km/h”, explica.

Com as corridas, o casal obteve muitas experiências. “Começamos a conhecer pessoas do Brasil inteiro e junta muita gente. Em cidades do interior como Piracicaba, Santa Rita do Passa Quatro e Porto Ferreira juntam quase 5 mil pessoas. Infelizmente aqui na região não temos descidas para fazer estas corridas, mas como sempre competimos, queremos mostrar que representamos nossa Cidade”, informa Queiroz.

O corredor diz que nem sempre é possível que os dois participem da mesma competição. “Às vezes ela não vai para me dar apoio. Como não temos uma equipe formada, um precisa ficar atento as chamadas, manutenção, e dividimos isso bem.”

Para Regina as mulheres tem se destacado. “Elas também estão começando a aderir a atividade. Uma vai incentivando a outra e isso é ótimo, tudo fica bem familiar.”

Embora não seja considerado um esporte oficialmente, acreditam que a prática esteja ganhando características profissionais. Gasta-se em média R$ 1 mil por corrida, entre alimentação, hospedagem e despesas dos carros. Porém, existem cidades que já oferecem prêmios em dinheiro ou em produtos como celulares, bicicletas e notebooks.

Como trabalham com material estético feminino pela internet, conseguem administrar bem o tempo para se dedicarem também ao rolimã. Costumam a treinar na Ilha Porchat, em São Vicente.

Nas disputas anteriores a esta, Queiroz obteve o primeiro lugar na classificação geral, com 16 pontos, pela força livre em Laranjeiras do Sul, no Paraná. “É uma modalidade que está no início. Ela vem do Gravity Car, modalidade que envolve tudo que não tenha motor, dividindo-os em vários sub-grupos, entre eles o rolimã e o skate”, diz.

O carrinho surgiu no fim da década de 60 e dificilmente se acha pronto, o que faz cada um criar o seu. Hoje existem tutoriais no YouTube e em sites especializados ensinando como montar. “Apanhamos um pouco para conseguir, mas fomos nos aperfeiçoando”.

A próxima corrida será em Socorro, em São Paulo, pela RT, em 10 de junho, também em ponta grossa haverá disputas pela força livre.

 

Larissa França

 

Ecovias

ecovias