Aproximadamente 8 milhões de brasileiras empreendem

Por meio da plataforma, Suzane ministra workshops sobre empreendedorismo

 

Já não há dúvidas de que a mulher é capaz de realizar as mesmas funções que o homem. Se até 1962 as mulheres casadas só trabalhavam com a permissão do marido, hoje ocupam cargos de liderança e tem apostado na criação do próprio negócio. Atualmente 7,9 milhões de brasileiras estão à frente de uma empresa. Segundo o Sebrae houve um crescimento de 34% no número de empreendedoras em 14 anos.

De acordo com a especialista em igualdade gênero e movimentos femininos, Suzane Frutuoso, esse aumento é muito positivo. “Elas conseguem não só sustentar a si mesmas e suas famílias, como se empoderam economicamente, o que dá mais poder de escolha, ajuda a tomar decisões e até se sentirem mais fortes para se livrarem de relacionamentos abusivos. O crescimento se une as discussões mais frequentes sobre os direitos e lutas. O cenário hoje no País é dos mais otimistas, com mais informações e cursos. Se comparado a outros lugares não estamos muito atrás. Claro os EUA, por exemplo, sempre incentivou muito, mas no cenário da América Latina estamos bem à frente”, comenta.

Já na região, Suzane acredita que houve melhora. “Percebi que de um ano para cá realmente houve um aumento principalmente as redes de apoio, como Empreendedoras de Sofia, em Praia Grande, e Empreendedoras 013. Elas fazem reuniões mensais, criam bazares para vender e fecham negócios.”

Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), dos empreendedores que iniciaram um negócio no País em 2016, 51,5% eram mulheres. Mesmo assim, ainda existem pessoas que têm medo de arriscar. “Se deseja ter um negócio mas tem medo, precisa saber qual é o temor. Nossa capacidade é maior do que imaginamos. Se preocupar com o que os outros pensam é não se permitir ter experiências novas. Medo de errar é uma bobagem porque você vai errar! Não há nada de mal nisso.”

Embora não haja uma fórmula certa para alcançar o sucesso, encontrar algo que goste, buscar conhecimento e ser persistente ajudam no processo. “O sucesso é relativo. Para uns é ganhar muito dinheiro, para outros é impactar a vida de outras pessoas. Quem cuida das emoções e da autoestima costuma suportar melhor as variações do empreender, porque se trabalha muito, especialmente no começo. Acredito que cada uma encontra sua fórmula”, conta Suzane.

Para as empreendedoras que são mães, saber conciliar a maternidade com o trabalho é preciso organização. “Pode ser melhor porque ela tem mais flexibilidade de horários e pode trabalhar de casa. Mas o ideal é reservar um cantinho onde possa se concentrar no que faz. Entre em acordo com a família para que em determinados horários o barulho diminua e você seja solicitada só se realmente for necessário. Faça pausas durante o dia também”, recomenda.

A liderança feminina ainda pode ser rotulada. “Falam que se empreende é porque não deve ter um bom relacionamento amoroso. Mudou muito isso, mas o caminho é longo”.

Formada em jornalismo, Suzane faz parte da consultoria ComunicaMAG e também é empreendedora. Em 2017, em parceria com a amiga Renata Leal, criou também uma plataforma chamada Mulheres Ágeis, que incentiva e ajuda outras pessoas a crescerem no empreendedorismo. “Sempre criei muitos projetos e vi que podia tocar um negócio. Inspiramos outras pessoas e criamos workshops para troca de experiências, levantando questões sobre a igualdade de gênero. Hoje sou muito feliz. Tem dias de vitórias, e outros que dão tudo errado, mas me preocupei em fazer uma reserva financeira. Mudar para melhor a realidade da sociedade é o que me faz acordar para vencer os desafios”, conclui.

 

Larissa França

 

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