Violência sexual infantil cresce 77,7% em São Paulo

Peruíbe, Santos, Guarujá e Cubatão terão palestras e dinâmicas sobre o tema

Toda criança e adolescente tem o direito de crescer livre sem jamais perder sua inocência. E para defender esse público e conscientizar a sociedade, nesta sexta-feira, dia 18, celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A data foi instituída a partir da Lei Federal nº 9.970/2000, devido ao conhecido Caso Araceli, quando neste dia, em 1973, a menina de 8 anos, do Espírito Santo, foi sequestrada, violentada e assassinada, com o corpo encontrado seis dias depois, carbonizado. Os agressores nunca foram punidos.

Mesmo que o crime tenha acontecido há exatos 45 anos, vários casos ainda ocorrem. Se colocado em um ranking, São Paulo ocupa a liderança dessas denúncias há anos. Até o terceiro semestre de 2016 os casos eram contabilizados junto aos estupros de adultos.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, no primeiro trimestre deste ano foram registrados 2.306 casos de estupro ao vulnerável, um aumento de 77,7%, se comparado com o mesmo período do ano passado, em que houveram 1.794 ocorrências. Em todo o ano de 2017 foram apontados 7.580 casos. Destas, 260 ocorrências foram feitas ano passado pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6), responsável pela Baixada Santista e Vale do Ribeira. Neste ano, somente no primeiro trimestre foram contabilizados 129 casos, o que resulta numa elevação de 47,2% se comparados aos 61 casos do ano anterior.

Para a conselheira tutelar de Praia Grande, Renata Zabeu, é de extrema importância falar sobre o assunto. “Por sermos um órgão de proteção, recebemos os relatos e encaminhamos a pessoa para fazer o Boletim de Ocorrência (B.O), o exame de corpo de delito e para a parte psicossocial da Cidade que é o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). É importante denunciar. Tanto por aqui ou pelo Disque 100 e não é preciso se identificar. Basta o caso ser verdadeiro e saber o endereço da vítima. As pessoas infelizmente ainda confundem ou não tem conhecimento da real função do Conselho. Ele não é só para punição, trabalhamos 24h por dia para ajudar”, esclarece.

Para Renata, a maioria dos abusos são cometidos por parentes ou conhecidos da vítima. “Por isso é preciso que os pais tenham cuidado e essa conscientização em conhecer uma pessoa e de imediato e colocá-la dentro de casa. Algumas mães não percebem que isso acontece. A questão do abuso é bem abrangente e fica marcada para a vida toda”, alerta a conselheira.

Segundo a diretora da Divisão de Proteção Especial de Média Complexidade da Secretaria de Assistência Social (Seas) do Município, Ana Maria Bonfrigério, não existem sinais exatos para identificar os casos. “A mudança de comportamento precisa ser pesquisada para entender o que pode estar acontecendo e ajudá-los a lidar e superar o problema. A família tem papel importante na proteção dos jovens, assegurando seus direitos”, explica. “A principal forma de prevenção é o diálogo. Ações de sensibilização são algumas das estratégias no enfrentamento do fenômeno. Discutir com a sociedade sobre o tema ajuda a romper com as violações de direitos do público atingido.”

PROGRAÇÃO - Em alusão ao tema, Praia Grande e Bertioga este ano não realizarão eventos. Mongaguá não terá iniciativas externas, apenas específicas como dinâmicas de grupo e palestras com esta temática.

Em Peruíbe, haverá no dia 18 uma ‘Caminhada contra a Violência e Exploração Sexual’, que percorrerá as ruas centrais da Cidade. Nos dias 24 e 25, terá duas apresentações teatrais para os alunos da Rede Municipal e Entidades Sócias Assistenciais, em que espera atender cerca de 2.000 crianças e jovens. Até o dia 30, serão distribuídos também informativos e cartazes.

Santos terá uma programação especial com atividades em vários pontos da Cidade. Dentre as ações, caminhadas, orientações, distribuição de panfletos, palestras e até um Cine Debate que será às 14h com o filme ‘O silêncio de Melinda’,  no Creas Zona Leste (avenida Conselheiro Nébias, nº 452, Encruzilhada).

No Guarujá o Creas, por meio do Paefi e de Ações Estratégicas  do Programa de Erradicação  do Trabalho  Infantil (Aepeti), tem trabalhado o tema em comunidades, como forma de prevenção, em parceria com organizações da sociedade civil, escolas e unidades de saúde da família. No dia 18, realizará uma ação de divulgação do assunto.  

Cubatãoterá como principal atração o 11º Seminário de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. Será no anfiteatro da Câmara Municipal, às 8h, com palestras sobre: Estatísticas e apresentação da rede de atendimento do município; A importância da denúncia; Ficha de Notificação da Violência e procedimentos antes e depois de 72 horas, entre outros.

Já Itanhaém e São Vicente não responderam aos questionamentos do Jornal Gazeta do Litoral.

 

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