Puxada pela gasolina, inflação oficial fica em 0,4% em maio

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do País, ficou em 0,4% em maio, registrando uma aceleração em relação aos 0,22% de abril, segundo o IBGE divulgou na sexta-feira, dia 8.

Conforme o IBGE, os maiores impactos no índice vieram dos preços de transportes e energia, com a gasolina respondendo, sozinha, por 0,15 ponto percentual (mais de um terço) da inflação no mês, devido o forte peso do item na composição do IPCA.

Os preços médios da gasolina nos postos subiram 3,35% no mês, enquanto os do diesel aumentaram 6,16%, segundo a pesquisa. No ano, a gasolina acumula alta de 6,82% e o diesel, de 10,43%. Em 12 meses, os preços dos combustíveis tiveram alta de 19,59%. A gasolina foi a que mais subiu neste período – em média, ficou 21,48% mais cara no país. Já o diesel acumula aumento de 19,78% em um ano.

No acumulado no ano, a variação até maio ficou em 1,33%, menor patamar para um mês de maio desde a implantação do Plano Real, em 1994. Em 12 meses, a inflação acumulada subiu para 2,86%, depois de registrar 2,76% nos 12 meses imediatamente anteriores. Mesmo assim, segue abaixo do piso da meta do Banco Central, que é de 3%. “Já são 11 meses em que o acumulado em 12 meses fica abaixo de 3%”, destacou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, apenas “artigos de residência” apresentou deflação em maio (-0,06%). Por setor, a variação do IPCA foi a seguinte: Habitação, 0,83%; Vestuário, 0,58%; Saúde e Cuidados Pessoais, 0,57%; Alimentação e Bebidas, 0,32%; Comunicação, 0,16%; Despesas Pessoais, 0,11%; Transportes, 0,4%; e Educação, 0,06%.

IMPACTOS – Segundo Gonçalves, o IPCA de maio refletiu apenas “uma parcela” dos impactos da greve dos caminhoneiros. “A greve ocorreu na última semana da nossa coleta. Na maioria das situações, principalmente dos alimentos, a gente não encontrou os produtos, então não computamos os preços”, disse.

Entre as altas impactadas pela paralisação dos caminhoneiros já capturadas pela pesquisa do IBGE, citou os preços da cebola e da batata, que tiveram alta, respectivamente, de 32,36% e 17,51% no mês. A coleta de preços da pesquisa foi feita entre 28 de abril e 29 de maio.

Conforme Gonçalves, os impactos da greve exercerão maior influência sobre o resultado do IPCA do próximo mês. “Para o levantamento de junho, nossa primeira remessa de coleta começou ainda na greve. Então, é possível que vejamos os reflexos dela nos preços dos produtos já no IPCA-15”, explicou.

META - A expectativa do mercado para a inflação em 2018 avançou de 3,60%, na semana retrasada, para 3,65% na última semana, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central (BC). O percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta que o Banco Central precisa perseguir para a inflação neste ano, que é de 4,5%. Entretanto, está dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema, que considera que a meta terá sido cumprida pelo BC se o IPCA ficar entre 3% e 6%. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 6,5% ao ano.

 

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