Tatuadoras ganham mais espaço no mercado

Cerca de 45% dos profissionais brasileiros são do sexo feminino

Antes privilégio quase que exclusivo dos homens, a tatuagem está cada vez mais se livrando de preconceitos que há tempos a cercavam. O número de mulheres tatuadoras vem crescendo cada vez mais no País. Atualmente, cerca de 45% dos profissionais brasileiros são do sexo feminino, mostrando que a arte de desenhar no corpo pode contar também, com muita habilidade e dedicação feminina. Em dois festivais de tatuagem no Brasil as mulheres representaram quase 30%, sendo que cinco delas foram premiadas como as melhores do evento.

Atualmente, não é a toa que muitos dos estúdios de tatuagem dedicam-se a essa arte, tendo como profissionais somente tatuadoras mulheres e clientes do público feminino como ocorre aqui em Praia Grande. Alguns desses estúdios trabalham com vários estilos, como Old, school e o pontilhismo.

A trajetória de muitas mulheres tatuadoras, no entanto, nem sempre foi conquistada facilmente, como conta a dona do Inked Princess Tattoo Studio, Marion Peres Benith Reobol, que nunca pensou em virar tatuadora. “Fiz cinco anos de Direito, mas nunca exerci. Faço tatuagem há dois anos e comecei nessa carreira porque sempre fui apaixonada por tattoo. Minha ideia sempre foi atender só mulheres, pois nunca me senti a vontade nos estúdios que eu frequentava, eram ambientes muito masculinos”, argumenta.

Marion comenta que queria algo exclusivo, onde as mulheres se sentissem como uma princesas. “Tatuagem é algo pra vida toda e criei um ambiente diferenciado voltado para o público feminino. Sem aquelas músicas pesadas, sem decoração hard core e sem aquele ambiente trash dos estúdios masculinos”, complementa.

Foi o marido de Marion que presenteou a tatuadora com os materiais de tatuagem. “Eu comentei com ele que tinha curiosidade em aprender a tatuar e uma semana depois ele me deu um kit completo. Fiz diversos cursos e workshops e continuo sempre me atualizando. Mas, nunca fiz nada específico voltado à mulher. Eu acabei estudando a técnica sozinha, aproveitando que tenho a mão mais leve do que tatuadores homens”.

Já a tatuadora Flávia Monteiro, dona do estúdio Flávia Monteiro Spot, começou atuar na área da tattoo em 2002 como piercie e manager no antigo Marx Tattoo. “A arte já me chamava à atenção e observei uma carência no mercado pela busca de tatuadora, e resolvi tatuar mesmo por volta de 2009. Mas, meu primeiro contato com a arte foi através do meu marido, em 1995. Eu comecei tatuando estilos variados e depois de algumas viagens pela Europa, optei ter um trabalho mais fluído com o público feminino”, detalha a tatuadora.

A capacitação de Flávia na verdade vem com estudos diários e influências diversas que vão desde Fileteado Portenho a Art Nouveau. Segundo contam os grandes mestres do fileteado portenho, a técnica nasceu a princípios de 1900 para decorar os carros com desenhos, cores e frases que representavam a identidade de Buenos Aires. O mais comum são os ornamentos com desenhos típicos do fileteado portenho: flores, dragões, pássaros, bandeiras ou brasões de futebol. E também nomes ou datas com a tipografia típica.

A tatuadora conta que hoje em dia, as mulheres procuram tatuar flores e ornamentos. “Elas estão cada vez mais ousadas tatuando, por exemplo, abaixo dos seios, valorizando suas linhas naturais sem se preocupar com os preconceitos sociais. Acredito que as pessoas estão abertas a serem tatuadas em lugares que até pouco tempo atrás eram impensáveis”.

 

 

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