Pesquisa aponta que cerca de 46% dos usuários do cheque especial utilizam o limite todos os meses

Um terço dos que recorrem aos limites do cheque especial não conseguem cobri-lo e atualmente estão com o nome sujo

Em tempos de crise, o brasileiro tem usado artifícios para conseguir pagar as dívidas. Assim como o cartão de crédito, um dos recursos mais utilizados é o cheque especial.

O que prova este índice é um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O estudo diz que quase a metade dos entrevistados de classes A e B (46%) possuem o hábito de entrar todos os meses no limite e 20% a cada dois ou três meses.

Foi concluído também que 17% da população recorreu ao cheque especial nos últimos 12 meses.

Outro ponto definido pela pesquisa é que 45% das pessoas reconhece não ter analisado as tarifas e os juros ao utilizar o recurso, seja por que não pensou nisso na hora ou porque precisava muito do dinheiro e acabou contratando independentemente dos custos.

Os principais motivos para usar a ferramenta são cobrir imprevistos com doenças e medicamentos (34%), quitar dívidas em atraso (23%) e realizar manutenção de automóveis ou motos (18%). Outros 17%, entraram no cheque especial por descontrole no pagamento das contas.

De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o fato do serviço não exigir qualquer tipo de burocracia acarreta um alto índice de uso. “Sem perceber, muitos entram no limite por achar que o recurso faz parte do seu saldo bancário. E no fim das contas, acabam pagando juros altos”, ressaltou.

INADIMPLÊNCIA - A inadimplência dos que recorrem ao limite do cheque especial e não conseguem cobri-lo levou um terço dos entrevistados a ter seu nome sujo. Dentre esses, 15% já regularizaram a situação e 14% permanecem negativados.

Conforme Marcela, as mudanças nas regras do recurso, que entraram em vigor no domingo, dia 1º, prometem melhorar esse quadro, pois, as instituições financeiras passarão a entrar em contato com os clientes que usarem mais de 15% do limite da conta por 30 dias consecutivos. Pela nova regra, os bancos deverão oferecer como alternativa um financiamento pessoal mais barato, com a possibilidade de parcelar a dívida.

“A mudança ajudará a evitar o efeito bola de neve, principalmente para quem realmente enfrentou alguma emergência em um determinado mês. Entretanto, para aqueles que costumam fazer uso recorrente do cheque especial, é preciso ter em mente que estará trocando uma dívida por outra mais longa. Assim, o cuidado com o orçamento continua sendo essencial para manter o equilíbrio das contas e evitar a inadimplência”, finalizou a economista-chefe do SPC Brasil.

 

Ecovias

ecovias