Serviço para diagnóstico de autistas é aprovado em Praia Grande

Atenderá crianças de 0 a 3 anos e os acompanhará até os 5, momento em que atingem a primeira infância. Após esse período, serão encaminhadas para outro serviço especializado

O Conselho Municipal de Saúde de Praia Grande aprovou em reunião realizada na terça-feira, dia 1º de agosto, uma iniciativa que pretende melhorar ainda mais a saúde da Cidade. Trata-se do Serviço de Intervenção Precoce no Transtorno do Espectro Autista (SIPTEA). 

Como o próprio nome já diz, será focado em crianças com autismo e pretende ter como diferencial a intervenção antes mesmo de um diagnóstico oficial.
Segundo a Prefeitura, o serviço será pioneiro em todo o Brasil e começa a funcionar a partir de setembro.
O SIPTEA atenderá meninos e meninas de 0 a 3 anos e os acompanhará até os 5, momento em que essas crianças atingem a primeira infância. Após esse período, elas serão encaminhadas para outro serviço especializado e continuarão tendo assistência.
Diferente das terapias convencionais, o foco não será apenas na criança, mas também a família como um todo. O serviço fará um treinamento familiar constante para que todos saibam como lidar e estimular o jovem dentro de casa. Para a terapeuta ocupacional do serviço, Lucimara Patrícia Patti, o treinamento é essencial, pois são os pais que tem o contato direto. “Não basta apenas uma hora de terapia por semana. Os familiares devem saber como agir ela durante os outros dias”, explicou.
O atendimento deve contar com especialistas em desenvolvimento infantil, entre terapeutas, fonoaudiólogos e assistentes sociais. Esses profissionais avaliarão a criança e após treinarem os pais, os mesmos terão que apresentar um relatório com observações de quando aplicaram as medidas instruídas em casa. Dessa forma, os especialistas poderão realizar uma reavaliação e dar novas diretrizes.
Quem aprovou a ideia foi a moradora do bairro Tupi, Ana Silvia Moreira Franco. A agente administrativa tem um filho autista: João Pedro Franco Castilho, de 6 anos. “É extremamente importante o serviço e faz toda a diferença. Só espero que realmente não fique na teoria e seja feito de forma certa e responsável. Quando descobri o autismo fiz tudo por minha conta, desde a pesquisa do tema até levar aos médicos”, contou.
O diagnóstico do garoto foi oficializado quando tinha 2 anos e 4 meses. “Mas comecei a perceber alguns sinais quando tinha cerca de 1 ano. Quanto mais cedo se descobre, mais há possibilidade de evoluir. Meu filho já leva uma vida normal e não aparenta quase nenhuma característica do TEA porque faz acompanhamento na psiquiatra e em outros locais”, disse.
Ana Silvia relatou também que houve grandes avanços no desenvolvimento do garoto. “No começo ele não olhava nos olhos, só conseguia assistir os desenhos por dois segundos e não ia a lugares como festas, pois tinha dificuldade na questão social. Hoje ele já não faz isso. Ele tem limitações mas consegue se adaptar”, relembrou a mãe, que completou. “É muito triste ver mães que têm medo de saber do diagnóstico ou não quererem perceber que existe essa possibilidade. Isso é um tempo que está sendo perdido para procurar ajuda e de melhorar o desempenho da criança.”
Mesmo com o transtorno sendo mais conhecido, Ana Silvia conta que os pais ainda enfrentam dificuldades. “Muitas coisas o SUS não fornece e o próprio convênio não cobre. Os autistas são pessoas muito literais e nós pais acabamos sendo um mediador deles. Na escola eles deveriam ter alguém para dar esse suporte de mediação mas não querem pagar uma pessoa só para isso”, opinou.
Segundo a psicopedagoga e presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Praia Grande - Semear e Crescer, Talita Maria Silva, o Município tem se esforçado para oferecer atendimento e acompanhamento ao público. “Esse novo serviço auxiliará na minimização e até extinção dos principais sinais de autismo, ativando áreas do cérebro que ajudam na conexão dos neurônios às demais células de modo a viabilizar a aprendizagem”, explicou.
A profissional acredita ainda que as demais cidades e até o Estado também deveriam aderir ao projeto. “Principalmente diante do crescente número de casos de crianças diagnosticada ou com suspeita de TEA”, concluiu.
O SIPTEA será vinculado ao serviço de Atenção Básica da Secretaria de Saúde Púbica (Sesap). Funcionará quando os pais levarem a criança para a vacinação e o profissional da Saúde apresentar um questionário baseado no M-CHAT, um documento do Ministério da Saúde Mundial que ajuda a rastrear o autismo precocemente. Além disso levarão professores e funcionários da rede a identificarem o problema.

Larissa França 

 

 

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