Casos de mortalidade materna aumentam em 4% pelo Brasil

Na contramão dos dados nacionais, das nove cidades da Baixada Santista, seis diminuíram ou igualaram seus índices de morte materna entre 2015 e 2016

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS), o número da mortalidade materna voltou a crescer em 2016 se comparado a 2015 e aos anos anteriores que apresentaram queda. Em 2015 o País registrou 62 mortes de mulheres por 100 mil nascidos vivos. Já em 2016, foram 64,4 por 100 mil, isto é, um aumento de 4%. Entre os estados brasileiros o maior índice é no Norte, com números que passaram de 76 para 84,5, ou seja, elevação de 11%.

Com o crescimento dos índices, o Brasil se distanciou do acordo realizado com a Organização das Nações Unidas (ONU), que era de 35 mortes de mulheres por 100 mil nascidos vivos até 2015. Além disso, ficou mais longe de alcançar a meta estipulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de 20 mortes para cada 100 mil nascidos.

O MS informou em nota que este crescimento não é considerado significativo quando se analisa a série histórica, pois no Brasil, entre 1990 e 2015 houve uma queda de 57% no problema, passando de 143 (em 1990) para 62 óbitos maternos (em 2013). O órgão disse também que houve avanços significativos nas políticas públicas e que para alcançar as taxas, em maio deste ano se comprometeu a reduzir a mortalidade pela metade, para 30/100 mil nascido vivos até 2030 em cumprimento aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 2015/2030.

O QUE É - A mortalidade materna é qualquer morte que acontece durante a gestação, parto ou até 42 dias após o nascimento. Pode ser originada de qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez. Ainda conforme o MS, cerca de 92% das mortes maternas são por causas evitáveis. Isso re-sulta em nove em cada dez mu-lheres que não resistem. Entre os principais motivos estão a hiper-tensão e a diabetes gestacional, he-morragia, aborto e infecções pós-parto, que muitas vezes ocorrem pela falta de infraestrutura e atendimento adequado.

Segundo o professor do Departamento de Obstetrícia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), Nelson Sass, o Brasil fez muitos progressos, porém está longe do ideal. “Ainda que tenhamos uma rede de atendimento, não adianta só quantidade. A qualidade da assistência precisa ser revista. Maternidades sobrecarregadas com cuidado limitado facilitam o risco de hemorragia, por exemplo, e, às vezes falta agilidade para a mulher receber suprimentos de sangue”, acrescentou.

Conforme a Secretaria de Saúde do Estado, São Paulo é uma das áreas de menor risco de morte materna. Em 2015, o índice foi de 47,2 por mil nascidos vivos, contra 32,5, conforme dados preliminares deste ano. Isso representa uma queda de aproximadamente 32%.

Pela Baixada Santista, em 2015, a taxa de mortalidade materna era de 87 por mil nascidos vivos. Em 2018, até o momento, essa taxa caiu para 70, queda de 19,5%. Em números absolutos, em 2015 foram 22 mortes e em 2018, até o momento, somente sete.

Na contramão dos dados nacionais do período citado, das nove cidades da região, seis diminuíram ou igualaram seus índices entre 2015 e 2016. Entre elas estão Itanhaém, que de 12,90 passou para 12, Santos (de quatro para dois casos), Guarujá (quatro passou para três), Cubatão (igualou em dois casos), Bertioga (de um para zero). Os municípios que aumentaram foram São Vicente (de seis passou para sete), Peruíbe (de zero para um) e Praia Grande (de três passou para quatros casos). Mongaguá registrou três casos de 2015 a 2018.

Para a pediatra e coordenadora do Núcleo de Apoio ao Programa Saúde da Família Praia Grande (Nasf-PG), Kátia Mara Mendes, ações podem melhorar os números. “A conscientização e reeducação da população evolui os índices e acaba com os mitos. A capacitação de todas as equipes da saúde desde agentes à médicos ajudam e é isso que vem sendo feito”, disse.

O número de partos cesáreos diminuiu e cresceu o número de normais e humanizados. Constantemente, agentes recebem capacitações e fazem parcerias com conselhos tutelares e Secretarias. Essas novas ações incentivam e fazem com que a mãe faça pré-natal e esclareça as dúvidas que tem nas unidades de saúde, tendo um acompanhamento”, finalizou a profissional.

 

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