Cidades da Baixada Santista têm risco de surto de doenças pelo mosquito

Uma das melhores formas de evitar a proliferação do mosquito é não deixar água parada em locais como vasos, pneus e garrafas

De acordo com o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) divulgado pelo Ministério da Saúde (MS) em junho, três cidades da Baixada Santista apresentam alto de risco de surto das doenças transmitidas pelo mosquito, isto é: a dengue, zika e chikungunya.

O município com o pior índice da região é Peruíbe, com 6,9% de chance. Em seguida vem São Vicente com 6%, e Guarujá com 4,4%. Além destas, outras três registram alerta sobre as doenças, sendo Itanhaém com 2,7%, Mongaguá 1,7% e Praia Grande com 1,6%. Já Santos e Bertioga apresentam nível satisfatório com 0,4%. Cubatão não está presente na lista nacional.

Os dados servem para mapear o nível de concentração e determinar a atuação do controle do mosquito.

Segundo o boletim fazem parte do grupo de alto risco 1.153 municípios, representando 22% do País. Ao todo 5.191 locais realizaram algum registro que classifique o perigo de aumento das doenças causadas pelo aedes. O levantamento é feito duas vezes ao ano nacionalmente e um novo documento deve ser divulgado em dezembro, segundo o MS.

Pelo Brasil, apenas três capitais estão com índice satisfatório: São Paulo, João Pessoa e Aracaju. Duas capitais estão em risco: Cuiabá e Rio Branco e outras 15 em alerta.

Entre as regiões, o armazenamento de água em barrís foi o principal tipo de criadouro no Nordeste. No Norte, Sul e Centro Oeste foram recipientes plásticos, garrafas pet, latas e entulhos de construção. No Sudeste predominaram os vasos, frascos com água, pratos e garrafas retornáveis.

Mesmo em situação de alto perigo em alguns locais, o número de caso das doenças diminuiram em São Paulo e pelo País. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), a queda mais expressiva é da dengue. Foram 678.031 em 2015 para 162.947 em 2016 e 6.269 em 2017, isso representa uma queda de 99% em dois anos. O Estado disse em nota que o apoio da população continua sendo fundamental para eliminar possíveis focos de proliferação.

Pelo Brasil, até abril, foram notificados 101.863 casos prováveis de dengue no País, uma redução de 20% em relação ao mesmo período de 2017, que foi de 128.730.

Em relação à chikungunya, foram registrados 29.675 casos prováveis. A redução é de 65% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 86.568 casos.

Os números de contaminações pelo zika também obteve queda de 70%. Foram 2.985 casos prováveis em relação ao mesmo período de 2017 (10.286).

Para o pesquisador e professor do Centro de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, as arboviroses podem voltar a qualquer momento. “Não estamos tendo uma epidemia. Estamos tendo casos esporádicos. Mas ainda é um problema que pode voltar. Todas elas têm momentos em que desaparecem, depois voltam. O vírus está aí e ainda é uma ameaça”, disse.

Os pesquisadores apontam que o ideal para prevenir o impacto de novos surtos seria desenvolver uma vacina. “As pessoas devem ficar atentas e controlar o vetor nas suas casas e, assim, evitar a transmissão. É a única solução que nós temos nesse momento”, disse Figueiredo.

 

 

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