Padre utiliza redes sociais para interagir com fiéis em Praia Grande

Padre Kleber Cardoso acredita que o projeto ajuda a melhorar a vidas das pessoas

Já foi o tempo em que o católico exercia devoção somente nas missas de domingo e tinha pouco contato com autoridades da igreja. Com a intenção de se aproximar ainda mais dos fiéis, o padre Kleber Luiz Cardoso, da Paróquia de Santo Antônio, usa as redes sociais para evangelização.ROT Padre nas Redes Sociais

Com aproximadamente 2.000 seguidores, em sua página o padre aborda diversos assuntos, entre eles alguns polêmicos como aborto, homossexualidade, prostituição, drogas e política. “Geralmente foco em temas que façam parte do cotidiano”, comenta.

O projeto deu início quando ainda estava no seminário e foi responsável por um programa de rádio. Já fez trabalhos pelo YouTube em Assunção, no Paraguai e depois em Bogotá, na Colômbia, com vídeos em português e espanhol.

O padre diz que as próprias redes sociais facilitaram essa interação, graças ao avanço de suas ferramentas. “O ideal é que as pessoas frequentem à igreja, participem da missa e escutem a palavra de Deus. Mas não são todos que tem a disponibilidade, pois trabalham e estudam. Então, se temos a possibilidade de melhorar esse convício, por quê não fazer? Existem tantas babaquices na internet, por quê não usar para fazer as pessoas pensarem?”, opina.

Além de dedicar a vida ao sacerdócio, padre Cardoso também é professor. Por conta disso não tem um público específico. “Tudo começou com as pessoas da paróquia, comunidade e universidades, então nem todos estão diretamente vinculados à igreja, é aberto à todos”.

Atualmente as postagens acontecem uma vez ao dia. Quando lançou o projeto fazia perguntas e esperava que as pessoas comentassem. Com o passar do tempo também passou a receber sugestões.

Segundo o padre, é preciso falar sobre qualquer tema. “O próprio Papa diz que precisamos evangelizar com novidades. Não no conteúdo, mas no método. Vivemos em um mundo interativo, todos querem dar opinião. Então ficar só sentado escutando pode ter funcionado no passado, mas hoje em dia já não é mais assim, pelo menos não para nossa realidade.”

O padre afirma que a Igreja Católica não tem nenhuma objeção. “A igreja trata dos temas. O diferencial é quando vemos um padre falando sobre, porque supostamente por ele ter uma formação filosófica, teológica, ser mais instruído, acaba sendo um formador de opinião. Acredito que as pessoas gostem porque ainda é uma autoridade.”

Para o religioso, muitos fiéis tradicionais não concordam com o método dele. “O que acontece é que hoje esse Catolicismo popular, devocional, é bem forte. Sempre recebemos mensagens de ‘bom dia, que Deus abençoe’ com imagens de Jesus, anjos ou santos. E quando se apresenta um Cristianismo mais comprometido com o social e toca em assuntos cotidianos, que as pessoas não tem coragem de tocar, surgem as resistências. Em devidas proporções, podem ser como haters, esses comentários agressivos. Não podemos deixar de fazer um trabalho bonito por culpa disso. Acredito que o que faço ajuda as pessoas a viverem melhor”, conclui.

HISTÓRIA – Cardoso é sacerdote desde 2010. Estudou Filosofia e Teologia, além de ter feito Informática. A Paróquia de Santo Antônio foi confiada a uma congregação religiosa, então apesar de fazer parte da Diocese, é administrada pela Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, de origem italiana. Por ser internacional, permite que o padre esteja em vários locais do Mundo, como foi o caso de Cardoso, que visitou países latinos, diferente dos padres da Diocese que só podem ficar na região mencionada. Após ficar quase dez anos fora do País, recebeu autorização para vir à Praia Grande, local em que seus pais também residem. Interessados no trabalho do padre podem acompanhar a página Meu tempo para Deus, no Facebook.

18/10/18
Texto: Larissa França

Foto: Eduardo Oliveira

 

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