Pesquisa diz que 97% das mulheres sofrem assédio no transporte coletivo

Estudo diz 46% das entrevistadas não se sentem confiantes para usar as opções coletivas de mobilidade urbana sem sofrer assédio sexual

 Um estudo mostrou que o assédio sexual está presente na vida da maior parte das mulheres brasileiras. De acordo com os Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, em parceria com uma empresa de transporte por aplicativo, 97% das entrevistadas dizem já terem sido vítimas de assédio em meios de transporte e outras 71% conhecem alguma mulher que já sofreu isso em público.

Segundo levantamento divulgado na terça-feira, dia 18, 72% das entrevistadas dizem que o tempo de locomoção entre a casa e o trabalho influenciam na decisão de aceitar ou permanecer num emprego. Ainda assim, 46% das entrevistadas não se sentem confiantes para usar as opções de mobilidade sem sofrer assédio sexual.

A segurança no transporte é o fator que mais preocupa as entrevistadas, que relatam situações das mais variadas, passando por olhares insistentes, cantadas indesejadas, comentários de cunho sexual, perseguição, e até mesmo passadas de mão ou homens que se aproveitam da lotação para esfregam em seus corpos.

Os Institutos mostram que uma em cada quatro mulheres (75%) se sentem seguras quando usam transporte por aplicativo, número que passa para 68% entre as que mencionam o uso dos táxis, enquanto 26% se sentem seguras no transporte público. Entre as entrevistadas, 55% consideram que a denúncia dos abusadores é mais fácil no caso dos transportes por aplicativo, sendo esse meio, para 45%, o que dá mais chances de que os assediadores sejam punidos.

Para a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, é importante não apenas aplicar leis que criminalizem o assédio sexual no transporte. “É preciso desenvolver políticas e mecanismos para prevenção, para garantir que as brasileiras se sintam seguras ao exercerem o direito de ir e vir, garantindo uma vida sem violência. Para as mulheres que em sua maioria estudam e trabalham, a segurança no deslocamento é uma questão essencial”, informou.

Para fazer a pesquisa e entender os obstáculos e desafios que o sexo feminino enfrenta nos trajetos que realiza foram ouvidas 1.081 brasileiras em diversas regiões do País e que utilizaram transporte público e por aplicativo.

 

 

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