Editorial

Mudança de perfil

 

Ao longo dos anos, a sociedade tem se modificado. Antigamente, uma família era formada a partir do casamento tradicional (no civil e religioso) e composta por um homem, uma mulher e seus filhos. O mundo contemporâneo tem espaço e direitos em respeito às vontades de cada pessoa, haja vista a união estável homoafetiva reconhecida. Também é comum mulheres como chefes da família e um número de filhos cada vez menor na composição do lar. Os filhos, inclusive, estão demorando cada vez mais chegar à família, já que muitos casais priorizam estabilizar financeiramente a vida antes de pensar na chegada do rebento, isso quando optam por tê-lo.

 

Essa mudança perceptível no perfil social foi comprovada através dos índices divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações coletadas no Censo 2010. Um dos indicativos é o crescimento do número de pessoas que moram juntas sem ter oficializado o casamento, a chamada união consensual. Nos últimos dez anos, esse cenário passou de 28,6% para 36,4% da parcela da população vivendo em união conjugal.

 

É bem verdade que a união estável dá os mesmos direitos que o casamento, mas o que fica notório é que o tradicionalismo em torno do matrimônio já não é tão forte como antes. A proporção de casais que optam pelas uniões religiosas ou civis caiu de 49,4% para 42,9%, sendo a maior queda no casamento religioso. Será que o vestido branco e o buquê estão deixando de fazer parte do sonho dos casais? Por outro lado, mais pessoas se separam, resultado da facilidade para dissolver relações, segundo o IBGE. O percentual cresceu em 20%, passando de 11,9% para 14,6%, entre 2000 e 2010.

 

As mulheres não estão assumindo lugar de destaque apenas no campo profissional, muitas assumem o comando em casa. Passou de 22,2% para 37,3% a taxa de famílias sob responsabilidade exclusiva das mulheres. As residências em que o casal compartilha todas as responsabilidades chega a 15,8 milhões. O número de casais sem filhos aumentou consideravelmente, passou de 14,9%, em 2001, para 20,2% em 2010. Segundo o IBGE, o motivo seria a maior participação da mulher no mercado de trabalho, que levaria ao adiamento da gravidez.

 

Existem ainda as famílias reconstituídas, que somam 16%. São aquelas em que as pessoas se casam novamente, e criam os filhos do primeiro casamento com os novos parceiros. O levantamento também indica que existem 60 mil casais homoafetivos vivendo juntos no Brasil, a maioria formada por católicos (47,4%) e mulheres (53%). Apesar da lei existente, a maioria das uniões homossexuais (99,6%) não é formalizada com registro civil ou religioso. Que os direitos igualitários tragam felicidade a todos, independente de tradicionalismo ou convenção social!

 

 

Praia Grande, dias 20 a 24 de outubro 2012

Jornal Gazeta do Litoral

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

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